Onça-pintada mata caseiro no Pantanal; PMA apura causas do ataque fatal

Onça-pintada mata caseiro no Pantanal; PMA apura causas do ataque fatal
Publicado em 22/04/2025 às 19:32

Onça mata caseiro no Pantanal; PMA apura se escassez de alimento ou reação defensiva motivaram o ataque fatal contra Jorge Ávalo

Com informações de GN Comunicação e Notícias

Polícia Militar Ambiental (PMA) de Mato Grosso do Sul investiga as circunstâncias que levaram uma onça-pintada a atacar e matar Jorge Ávalo, de 60 anos, conhecido na região como “Jorginho”, caseiro de uma pousada localizada entre os rios Miranda e Aquidauana, na região pantaneira conhecida como Touro Morto. O ataque aconteceu na madrugada de segunda-feira (21), e os restos mortais da vítima foram localizados na manhã do dia seguinte, a cerca de 280 metros do rancho onde trabalhava.

De acordo com a perícia técnica, os sinais encontrados no corpo são compatíveis com um ataque de grande felino. Imagens de câmeras de segurança confirmam a presença de uma onça-pintada rondando a propriedade antes do desaparecimento do caseiro.

Buscas guiadas pela fé

O corpo foi encontrado pelo cunhado de Jorginho, que integrava o grupo de busca formado por familiares e amigos da vítima. Emocionado, o homem relatou que teve uma espécie de “chamado divino”, afirmando que Deus teria indicado o local exato onde estavam os restos mortais.

“Deus falou pra mim: ‘vai lá naquele capão, lá’. Tinha certeza que o meu cunhado estaria ali”, disse o homem, em prantos, enquanto cortava a vegetação densa ao redor da área. Ao encontrar os restos mortais, ele expressou a dor da família com frases que revelam o estado do corpo: “Vixe, ficou só…”, disse, interrompido por outro membro da equipe: “Comeram tudo ele!”.

Onça retorna ao local e tenta novo ataque

Durante a retirada dos restos mortais, uma nova tensão tomou conta do grupo. A onça voltou ao local e chegou a avançar sobre um dos homens presentes. A equipe de resgate precisou efetuar disparos para afugentar o animal, que fugiu, deixando para trás partes do corpo da vítima.

Segundo relatos de moradores e frequentadores da região, não era a primeira vez que a presença do felino havia sido notada. Dias antes do ataque, o próprio Jorginho havia gravado um vídeo com imagens de pegadas de onça próximas à pousada, demonstrando preocupação com a possível aproximação do animal.

Hipóteses: escassez de alimento e comportamento defensivo

A PMA trabalha com diferentes hipóteses para explicar o comportamento da onça. A principal linha de investigação considera a escassez de presas naturais na região, como capivaras e catetos, o que estaria obrigando grandes felinos a se aproximarem de áreas habitadas por humanos em busca de alimento.

Outra possibilidade levantada pela corporação é que o ataque tenha sido uma reação defensiva da onça, possivelmente surpreendida por algum movimento ou ruído feito por Jorginho. Também é avaliada a hipótese de aumento de agressividade dos felinos durante o período reprodutivo da espécie.

Investigação em andamento

Polícia Civil de Mato Grosso do Sul acompanha o caso e o investiga, por ora, como morte por causa indeterminada. A confirmação oficial da identidade da vítima depende de exames de DNA, uma vez que os restos encontrados estavam em avançado estado de decomposição, com múltiplos sinais de predação.

A PMA não confirmou se o animal será rastreado ou capturado, mas reforçou que ações de monitoramento na região estão sendo intensificadas. O órgão alertou, ainda, para os riscos crescentes de encontros entre humanos e grandes predadores, especialmente em áreas onde o equilíbrio ecológico está sendo afetado por fatores como mudanças climáticas, queimadas e perda de habitat.