QUE POLÍTICA É ESSA?
ALMT empossa suplentes enquanto um dos novos deputados enfrenta condenação por violência doméstica

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) registrou, na tarde de quarta-feira (18), a posse de dois suplentes: José Joaquim de Souza Filho, o Baiano Filho (União Brasil), e Graciele Marques dos Santos (PT). Ambos assumiram as cadeiras deixadas temporariamente pelos deputados Júlio Campos (União) e Lúdio Cabral (PT), que solicitaram licenças conforme acordos internos de rodízio partidário.
Graciele Marques tem trajetória ligada à educação e à militância social. Nascida em Iporã, no Paraná, e moradora de Sinop desde a infância, é professora da rede pública estadual e universitária, com graduação em Pedagogia pela Unemat, especialização em docência do ensino superior e mestrado em educação. Foi eleita vereadora em Sinop em 2020, sendo a única mulher e única parlamentar do PT naquela legislatura. Atuou em defesa da educação, das mulheres e dos direitos humanos, enfrentando inclusive ameaças e retaliações públicas por sua atuação.
Baiano Filho nasceu em Dracena, São Paulo, e vive em Mato Grosso desde 1972, tendo iniciado a carreira pública como vereador em Sinop, onde exerceu três mandatos. Foi presidente da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), secretário de Estado de Esportes por dois mandatos e eleito deputado estadual em 2010 e reeleito em 2014 com mais de 43 mil votos. Em sua atuação política, destacou-se como articulador de obras estruturantes, especialmente na região do Araguaia, com foco em saúde, logística e infraestrutura.
A posse de Baiano Filho, no entanto, provocou reações e trouxe à tona uma controvérsia. Em abril deste ano, ele foi condenado por lesão corporal em contexto de violência doméstica, após agredir sua então esposa em agosto de 2023, em Cuiabá. A vítima apresentou vídeos e imagens com o rosto ferido, e o político recebeu pena de um ano de prisão em regime aberto, com suspensão condicional por dois anos. O caso ganhou repercussão à medida que movimentos sociais cobraram mais rigor da Assembleia frente a casos de agressão contra mulheres.
Apesar da condenação, Baiano Filho pôde tomar posse, já que a Assembleia ainda não aprovou o projeto de resolução que proíbe parlamentares condenados por violência doméstica de exercerem mandato. A proposta, apresentada no início de maio, permanece em tramitação sem força normativa.
A entrada dos suplentes representa um novo momento para a ALMT, que vê contrastes marcantes entre os perfis empossados: de um lado, uma professora ligada a movimentos populares; de outro, um político experiente, mas envolvido em episódio judicial recente. A expectativa recai agora sobre a tramitação da proposta que busca endurecer as regras de ética pública na ocupação de cargos no parlamento estadual.

